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O Desgastado Modelo Ganha-Perde na Gestão do Transporte de Cargas no Brasil

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

O mês de fevereiro vem se destacando também pelos protestos de transportadores autônomos em diversas regiões do Brasil. Os motoristas protestam contra os sucessivos aumentos do preço do diesel, contra a péssima condição das estradas e contra as tarifas de fretes praticadas no mercado. Por enquanto são poucos, mas não demorará para ganhar uma adesão maciça.

A questão do diesel tem sido exaustivamente debatida na mídia, e é fruto da má gestão, da corrupção e da constante ingerência dos políticos sobre a Petrobrás.

O problema das estradas é crônico. Há muitos anos é manchete em diversos meios de comunicação, e com tamanha corrupção e falta de planejamento, dificilmente superaremos esse problema. Provavelmente esperaremos por mais 20 ou 30 anos para, talvez um dia, usufruirmos de uma infraestrutura à altura daquilo que contribuimos através dos impostos pagos.

Quanto ao terceiro tema, as baixas tarifas de frete, isso é resultado de uma política de gestão de transportes do tipo ganha-perde, praticada pela maioria dos grandes Embarcadores deste país.

Por um lado as Transportadoras demonstram grandes dificuldades para custear a sua operação e chegar ao preço correto, que contemple todos os gastos administrativos e operacionais. E mesmo quando sabem fazer isso, têm enormes dificuldades em aplicá-los ao mercado. Podemos dizer que existe uma frustação dupla.

Na outra ponta, os Embarcadores, em função de seu poderio econômico e das condições de oferta do mercado, estimulam a guerra de mercado entre as empresas de logística e transportes.

Esse modelo ganha-perde está esgotado. O Embarcador ganha no curto prazo; no longo prazo contribui para o desinvestimento ou para a extinção de diversas Transportadoras e Operadores Logísticos. O acionista se sente desencorajado em investir e até em dar sequência ao seu negócio. Muitos estão optando (ou já optaram) por atuar no setor imobiliário, construindo e alugando galpões ou simplesmente comprando e vendendo imóveis diversos. Não faltam aqueles que investiram em concessionárias de veículos, fazendas, postos de gasolina, hotéis, franquias de restaurantes, lavanderias, etc. Outros venderam ou estão vendendo seus negócios (enquanto ainda houver tempo hábil para isso), abandonando de vez o setor de logística e transportes.

O efeito disso, no longo prazo, é a redução da oferta de transportes. Aí entenderemos o quanto erramos ao insistir em um modelo predatório, que não desenvolve e nem promove o crescimento do setor, e que ao contrário, acelera o processo de deterioração das Transportadoras e Operadores Logísticos. Isso pode levar 1, 5, 10 ou 15 anos, mas vai ocorrer em algum momento. O tempo será determinado pela “loucura”, coragem e insistência dos empresários do setor. Enquanto resistirem, continuarão alimentando esse modelo auto destrutivo.

É importante que ambos, Embarcadores e Prestadores de Serviços em Logística e Transportes, reavaliem esse modelo ganha-perde. Se não fizerem isso nos próximos anos, um lado, simplesmente deixará de existir ou migrará para outras atividades econômicas; o outro, ou arcará com custos maiores ou precisará se desdobrar em soluções mirabolantes para transportar suas matérias-primas e produtos acabados.

Pense nisso. Escute seu parceiro. Trabalhe de forma colaborativa. Olhe adiante. E trabalhe muito!

Sucesso!

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